Antes de tudo uma paixão.
Um encontro, uma partilha.
Se, ao longo do tempo, outros prazeres souberam conjugar a ideia do «encontro», o das volutas reteve particularmente a minha atenção.
Simbolizando o sucesso social, era reservado nos séculos XIX e XX à elite da sociedade ocidental.
Todavia, o cigarro encontra a sua origem, há mais de 3000 anos, nos índios da América do Sul: os Aruaques, que cultivavam as folhas de tabaco, consumiam-nas e utilizavam-nas também como planta medicinal.
Descoberto em Cuba e importado para a Europa por Cristóvão Colombo, o cigarro será introduzido por Jean Nicot que o introduzirá junto de Catarina de Médicis. Esta utilizá-lo-á para aliviar as suas enxaquecas.
Mais tarde, a erva para curar tornar-se-á erva para fumar, apesar dos egípcios a utilizarem para o embalsamento das suas múmias.
E se Alexandre Dumas lança um sortilégio ao cigarro em «Impressões de viagem: De Paris a Cádis», é através da sua mais célebre personagem, o Conde de Montecristo, que os fumadores o honram nos nossos dias.
Hoje, o cigarro emancipou-se. Sem querer fazer a apologia do tabaco, fumar é um prazer como o é a degustação de um bom vinho ou a descoberta de uma iguaria fina.
«Traz nele a memória da terra de onde provém, do saber fazer daqueles que o «criaram», das misturas subtis que entram na sua composição… Cada baforada de um grande Havana mergulha-me nessa tão curiosa ilha das Caraíbas e nas plantações inigualáveis das terras de Pinar del Rio» (Alain Kleinmann).
Nada de mais natural, assim como o fizeram outros artistas, que abordar de modo epicuriano, esse universo. Porque o cigarro é antes de tudo um estado de espírito.
D.K.
