«Flores às braçadas»
Dentro da escolha dos temas propostos para esta coleção de selos, o das flores apresentou-se-me como uma evidência.
O mais surpreendente é refletir, antes de mais, acerca do formato escolhido.
Despojar os traços. Jogar com a cor para evidenciar os contrastes.
Acentuar contornos e curvas, deixando vagabundear a imaginação, essa música que paira na cabeça.
Manter-se realista quanto às formas reais da flor, sem nada lhe subtrair das suas propriedades.
Passadiço entre os mundos. Formas, cores, perfumes.
Cada flor em conformidade com a sua estação.
«As flores»...tema magnífico. Onde tudo fica dito.
Onde tudo fica por dizer. E onde tudo ficará por dizer.
Como outras tantas interpretações, vivências, sonhos, imaginários.
Com uma pincelada, o pólen levado pelo vento.
Com outra, os sinos de uma haste de lírio tilintando sob a brisa.
Desde os primeiros alvores da manhã que atravessam o atelier, até aos alaranjados do entardecer, tudo está lá, alquimia, para transformar o metal em ouro.
Do meu pincel, outra pétala como uma lágrima.
Ou esta, à sombra de uma palmeira gigante.
Depurar incessantemente, pois o espaço não se presta aos detalhes, ao movimento.
E escolher por entre toda esta florescência, as que reterão a atenção.
Como outras tantas possibilidades.
Nesta orquestração para constituir uma coleção, necessário é todos os instrumentos em uníssono.
Cada selo constitui um mundo em si e é uma continuidade de outro.
D.K.
