Preâmbulo

«Num turbilhão de notas sagradas» Uma vida, a minha vida, quero-a às cores das nossas vontades, à descoberta de pequenas felicidades, de verde, de azul, de cinza… Pouco importa. Fragmentos de púrpura com fulgores granada, nesta girândola de cores abre-se-me o apetite. «Nenhuma obrigação, nem constrangimento, nem dever» ensinou-me, um dia, uma sombra furtiva que marcou a minha memória. Princesa do vivo, transmitiu-me os segredos alquímicos. Aqueles que encerram os azuis cintilantes, portas de eternidade. E a levante, ao sair das manhãs brumosas, acariciar o azul com as cores do dia nascente, desses brancos amarelados em tons de pêssego como que para mordiscar com todos os dentes os novos dias que se anunciam. Dessa libertação nasceu um vento novo, outrora prisioneiro dos hábitos e das certezas. Dessas cores fisgadas que vos fazem andar a passo. No tumulto das ideias preconcebidas, onde se limita o casamento das cores, mas onde o sábio inicia-te a superar-te para melhor renascer. A esse pensador, àquele que com a sua Luz transmite a palavra-mestra, o meu agradecimento. Porque esvanecendo-se na noite, aparecerá de novo um dia, em tons de arco-íris de notas sagradas, misturando cobres e notas de veludo. Somos todos trovadores da vida, às vezes passadores, às vezes recebedores, aceitando esta oferenda como um hino à vida, beijo suave delicadamente pousado sobre lábios de cetim com ainda húmidos contornos. Levanto o meu copo alto para beber à vida, à amizade, ao amor, a tudo o que nos comove e nos transporta. Aos verdes esmeralda, Luz, primavera, musgo, garrafa, chartreuse, e couraçados de ouro refulgente nesta noite, casando os amarantos aos azuis-turquesa escuros.

D.K.