Abraão,
Inspirado foste, quando ouviste uma voz que te chamava para elevado destino.
Reconhecido pelas três religiões monoteístas, tornaste-te um ser incontornável.
O meu propósito é mais simples. Quando encetei a minha série Judaica, nos anos 90, desejava mostrar que o judaísmo era composto por numerosas facetas, com as cores da minha vida. Desde a Escola de Paris, os predecessores antes de mim abordaram esses temas bíblicos. Rembrandt, Chagall, Mane Katz, Soutine, Walter Spitzer, Karol Adler, Richard Weisberg e muitos outros.
E também o trabalho da memória, como Alain Kleinmann.
Porque, outrora, as interdições rabínicas não permitiam aos artistas compor com. Mas não é apanágio comum as religiões ditarem aos artistas a sua maneira (o seu modo) de criar? O artista em si deve superar a sua própria condição. Porque superar-se é tudo sublimar.
E quaisquer que sejam os materiais, desde pinturas de vitrais em sinagogas a linhas de louça, desde aguarelas a telas, quis transmitir uma certa alegria de viver. O jogo das letras hebraica foi (constituiu), para mim, uma profunda fonte de inspiração.
É, à minha maneira, uma forma de transmissão. Porque o pensamento não é fisgado.
Perpetua-se sempre desde que talhaste (esculpiste) a pedra bruta e tentaste elevar o homem.
DK
